O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro sugeriu publicamente uma negociação entre Brasil e Estados Unidos que incluiria a adoção do sistema de pagamentos Zelle e concessões sobre recursos estratégicos. Em vídeo divulgado nas redes sociais, ele defendeu que há argumentos para levar o tema a uma “mesa de negociação” com os americanos.
O Zelle é apontado por ele como equivalente ao Pix: uma rede integrada a aplicativos bancários que permite transferências entre contas, geralmente sem tarifa para pessoa física dentro de limites diários, mas com custos quando usada por contas comerciais. A proposta indica troca de arquitetura de pagamentos como instrumento de negociação internacional.
Além da mudança no sistema de pagamentos, Eduardo sugeriu ceder aos EUA exclusividade na exploração de terras raras brasileiras, citando minerais como o manganês — do qual os Estados Unidos importam toda a sua demanda, segundo o ex-deputado — como ativo a ser ofertado num acordo bilateral.
A sugestão surge em meio à abertura de investigação pelo USTR, com base na Seção 301, sobre possíveis medidas referentes ao Pix — e a reação política já foi simbólica: o presidente exibiu cartaz defendendo o sistema como brasileiro, e o senador Flávio Bolsonaro respondeu com sua própria referência ao Pix. A proposta de Eduardo coloca em debate riscos de soberania tecnológica e a relação entre interesses econômicos e chantagem diplomática, ao mesmo tempo em que complica a narrativa política sobre defesa de ativos nacionais.