O embate público entre Eduardo Bolsonaro e Romeu Zema escalou depois que o ex-governador de Minas fez críticas à suposta aproximação entre o senador Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master. Zema afirmou, em sabatina, que quem se associa a pessoas envolvidas em suspeitas merece cautela, comentário que provocou reação imediata do grupo bolsonarista.

Zema vinha reclamando da cobrança de recursos atribuída a Flávio para financiar o filme Dark Horse, uma produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, cujo pedido de aporte foi reportado em valores na casa dos milhões de dólares. Para o ex-governador, a prática seria incompatível com o discurso anticorrupção da oposição e equivaleria a contradizer críticas feitas ao atual governo.

No X, Eduardo Bolsonaro contestou a postura de Zema, questionou a informação sobre Vorcaro e a motivação do ataque e chegou a propor um rompimento 'geral' do bolsonarismo com o partido Novo. A reação do ex-deputado acusa Zema de agir politicamente sem ouvir todas as partes e de explorar o episódio para ganho imediato, em especial num momento de disputa de narrativa entre os opositores do governo.

Além do tom pessoal, a disputa tem reflexo político claro: aumenta a dificuldade de costurar uma frente unificada da direita. A discussão força o Novo a delimitar posição — manter independência crítica ou aproximar-se do PL — e complica eventuais acordos eleitorais. Para a base bolsonarista, a insatisfação pública de Eduardo amplia desgaste interno e pode reduzir margem de negociação.

O episódio também afeta o discurso oposicionista sobre ética e coerência. Ao colocar em cheque alianças e financiamento de artefatos políticos, a contenda expõe fragilidades na estratégia de unidade em torno de 2026 e pressiona líderes a esclarecerem relações com financiadores. Resta ver se a troca pública se traduzirá em rupturas formais ou ficará restrita a ruídos num campo político já de si fragmentado.