Em entrevista ao podcast norte-americano Louder with Crowder, nesta sexta-feira (23/10), o ex-deputado Eduardo Bolsonaro afirmou que o irmão Flávio, candidato do PL à Presidência, deveria deixar o país caso seja derrotado no segundo turno. A declaração, feita entre risos e tom mais sério, chegou acompanhada de uma referência jocosa a um eventual envio de “fuzileiros navais” e foi apresentada como resposta a perguntas do público do programa.
Além da sugestão de exílio, Eduardo voltou a atacar a confiabilidade das urnas eletrônicas: criticou a ausência de contagem pública em papel e invocou um aforismo atribuído a Stálin para reforçar que o problema seria quem conta os votos. A linha de argumentação — na qual ele diz não poder provar fraude, mas também afirma que ninguém pode provar o contrário — reitera a estratégia de semear dúvidas sobre o resultado eleitoral sem apresentar evidências objetivas.
Politicamente, a fala acende alerta para a campanha de Flávio. Em um cenário apertado — no primeiro turno o candidato do PL obteve 47,03% dos votos válidos contra 45,16% de Luiz Inácio Lula da Silva — declarações desse tipo podem amplificar o desgaste, complicar a narrativa oficial e fornecer munição a adversários e a setores críticos das instituições. A menção a investigações futuras, apresentada por Eduardo como justificativa para a necessidade de o irmão sair do país, contribui para a percepção de que a contenda pode migrar para uma disputa sobre legitimidade e impunidade.
A entrevista em um canal estrangeiro também tem peso simbólico: lança o debate para além do público doméstico e aumenta a exposição internacional da disputa. Mais do que um ataque retórico ao sistema eleitoral, a sequência de declarações do ex-deputado tende a gerar custos políticos concretos — perda de credibilidade entre eleitores indecisos, reação de setores institucionais e necessidade de ajuste de estratégia pela campanha do PL para evitar que a narrativa de contestação fragmente apoios essenciais no segundo turno.