Eduardo Paes oficializou em Oxford sua candidatura ao governo do Rio de Janeiro, na terceira tentativa pelo cargo. O ex-prefeito — que detém o recorde de mandato à frente da capital fluminense — justificou a mudança de foco ao afirmar que pode contribuir mais para o Estado do que permanecendo na prefeitura. A declaração veio acompanhada de uma ironia sobre o custo pessoal e político da aposta: ele reconheceu que, se não houver desgaste judicial ou pessoal, a campanha já terá êxito parcial.

No plano da segurança pública, Paes adotou tom dúbio que busca atravessar eleitorados distintos. Fez críticas à megaoperação que deixou mais de uma centena de mortos no Complexo do Alemão e na Penha, mas reafirmou que grupos que enfrentam o Estado com armamento pesado precisam ser “neutralizados”. Ao mesmo tempo, disse considerar o presidente Lula o quadro mais competitivo para vencer a eleição presidencial, ao passo que afirmou que o chefe do Executivo federal não terá influência direta sobre a gestão do Rio — sinalizando distância estratégica em relação ao Planalto.

O percurso político de Paes pesa sobre sua campanha. A gestão responsável pela transformação urbana ligada ao ciclo olímpico é usada como cartão de visitas, especialmente obras de mobilidade e infraestrutura. Mas esse legado convive com acusações e episódios que marcaram a política fluminense: investigações relacionadas às obras olímpicas, a proximidade histórica com Sérgio Cabral e episódios como a chamada “farra dos guardanapos”. Paes nega relação de subordinação ao grupo preso do ex-governador e aponta ter seguido carreira própria, mas a lembrança dessas conexões tende a reaparecer no debate público.

Do ponto de vista político, a candidatura de Paes altera o mapa para 2026: amplia a disputa pelo eleitor moderado, força candidatos da direita e da esquerda a recalibrar estratégias e acende um alerta sobre como o tema da segurança será framed nas campanhas. Há também custo institucional: o movimento reabre questionamentos sobre integridade e será usado por adversários para desgastar a narrativa de gestor moderno. Para avançar, Paes terá de conciliar o discurso de eficiência administrativa com uma resposta convincente às dúvidas sobre seu passado e a promessa de resultados concretos na segurança e na recuperação fiscal do Estado.