Dados do Censo Demográfico 2022 do IBGE mostram que, no estado do Rio, 12,8 milhões de eleitores poderão votar em outubro — entre eles, cerca de 2,1 milhões que vivem em uma das 1.724 favelas fluminenses. Na capital, 1,3 milhão residem em 813 aglomerados marcados por menor cobertura de saneamento e coleta de lixo. O quadro deixa claro que, para esses territórios, a presença insuficiente do Estado continua a definir a agenda local.

Em entrevistas à Agência Brasil, moradores e especialistas destacam que, com a proximidade das urnas, as demandas concretas de serviços — educação, mobilidade, cultura, saúde e emprego — estão à frente da discussão sobre segurança. Para jovens como Letícia, do Complexo do Alemão, e profissionais formadas na cidade, como a jornalista da Rocinha, a escolha de voto passa por propostas que ampliem acesso a escolas, cursos técnicos e oportunidades de trabalho com deslocamentos e custos que realmente façam sentido para quem mora em periferias.

O diagnóstico tem implicação política direta. A prioridade dada a educação e transporte expõe a limitação de narrativas centradas apenas em segurança: candidatos que apostarem unicamente em medidas repressivas podem encontrar resistência se não apresentarem planos para mobilidade, qualificação profissional e políticas juvenis sustentáveis. Demandas como o fim da escala 6x1 e a oferta de programas de aprendizagem com cobertura de custos de deslocamento ou alimentação aparecem como itens que influenciarão a decisão de voto de parcela relevante do eleitorado favela.

Para a administração pública e para a oposição, a mensagem é prática e clara: disputar votos nas favelas exige propostas integradas que reduzam a desigualdade de acesso e transformem presença do Estado em serviços visíveis. Ignorar essas prioridades pode significar não só perda de apoio eleitoral, mas também aprofundamento de problemas sociais que alimentam exclusão e fragilizam políticas públicas no médio prazo.