A pouco mais de um mês da estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, ressurgiu nas redes a chamada superstição do “Efeito Eymael”: a ideia de que a ausência do veterano político nas disputas presidenciais coincide com títulos mundiais. A recente sinalização de que José Maria Eymael não pretende lançar candidatura em 2026 reacendeu a crença entre torcedores, que celebram a coincidência como um presságio para o tão sonhado hexa.

A trajetória de Eymael ajuda a explicar por que a figura virou folklore político. Nascido em Porto Alegre em 1939, advogado e militante da democracia cristã, ele participou da Constituinte de 1988 e foi deputado federal por São Paulo em 1986 e 1990. Disputou a Presidência seis vezes, com votações discretas ao longo das décadas — chegando a somar algumas dezenas ou centenas de milhares de votos, percentuais modestos frente ao eleitorado nacional — mas mantendo presença constante e reconhecimento graças ao jingle e à imagem de candidato 'raiz'.

A coincidência histórica existe: nas duas ocasiões em que Eymael optou por não concorrer ao Planalto — 1994 e 2002 — a Seleção foi campeã. Especialistas consultados no período tratam o padrão como casualidade; para a maioria dos analistas políticos, a ausência de um candidato com desempenho eleitoral marginal tem impacto irrelevante no tabuleiro presidencial. Ainda assim, o fenômeno revela como eventos esportivos e narrativas populares se misturam à cultura política e às heurísticas do eleitor.

Do ponto de vista prático, a repetição do 'Efeito Eymael' dificilmente alterará cenários e negociações rumo a 2026. A história do político virou elemento simbólico mais do que força eleitoral: mobiliza memes, promessas e rituais de torcida, mas não redesenha alianças nem votos. Enquanto a Seleção inicia sua campanha em 13 de junho, diante do Marrocos, a superstição cumpre papel de curiosidade cultural — útil para as redes e transmissões esportivas, limitada como fator político.