O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) convocou 1.969.060 mesárias e mesários para atuar no primeiro turno das eleições gerais de 2026, marcado para 4 de outubro. O contingente é 79.783 maior que o registrado em 2022 (1.889.277) e supera também o pleito de 2018, quando foram chamados 1.896.887. O número volta a aproximar o trabalho presencial de quase 2 milhões de pessoas nas seções e reforça a escala operacional do calendário eleitoral.

A Justiça Eleitoral sustenta o funcionamento das seções com mesas receptoras compostas por quatro integrantes — presidente, primeiro e segundo mesários e secretário — responsáveis por identificar eleitores, habilitar urnas, registrar ocorrências e organizar o fluxo. A convocação não é mero convite: nomeados devem comparecer ou apresentar pedido de dispensa ao juiz eleitoral em até cinco dias após a publicação do edital; o magistrado analisará a justificativa. A ausência sem justificativa pode acarretar multa e, para servidores públicos, suspensão de até 15 dias, conforme previsto no Código Eleitoral.

Há também regras que impedem nomeações: candidatos e parentes até segundo grau, cônjuges e companheiros, integrantes de diretórios partidários com função executiva, autoridades públicas, agentes policiais, ocupantes de cargos de confiança do Executivo, pessoal do serviço eleitoral e menores de 18 anos. A legislação disciplina ainda impedimentos para composição da mesma mesa, como parentesco entre os membros ou vínculo empregatício em determinadas condições. O trabalho não é remunerado, mas garante benefícios: dois dias de folga por dia trabalhado, possibilidade de folga por treinamento e auxílio-alimentação de R$ 60 por turno.

O aumento do contingente acende um alerta administrativo e político. Logística, formação e substituição de afastamentos tornam-se pontos críticos para tribunais regionais e zoneais; uma incapacidade de preencher vagas ou a aplicação visível de penalidades pode gerar desgaste público e questionamento sobre a gestão do processo eleitoral. Para o TSE, o desafio é dobrar esforços em convocação voluntária, treinamento e transparência sobre despesas com benefícios, enquanto a sociedade observa se a Justiça Eleitoral conseguirá manter o funcionamento sem transtornos e com efetiva proteção à integridade do voto.