O mapa eleitoral de Minas Gerais para 2026 chega às convenções marcado por uma sequência de reviravoltas que mudou o tabuleiro antes mesmo do início formal da campanha. O desfecho das negociações, muito distante do roteiro traçado no começo do ano, deixou candidaturas pelo caminho, alianças afundadas e nomes remanejados, com reflexos diretos sobre a estratégia tanto do governo federal quanto da oposição local. A definição de Patrus Ananias (PT) como candidato aparece como resultado dessa sucessão de recuos e rearranjos.

O caso mais simbólico foi o de Rodrigo Pacheco (PSB). Ex-presidente do Senado e centro das articulações do Planalto para Minas, Pacheco alternou sinais de interesse com recuos, trocou o PSD pelo PSB e cobrou garantias de uma aliança ampla e do apoio explícito do presidente. Sua eventual desistência interrompeu uma aposta estratégica do governo e forçou uma recomposição rápida das forças de centro-esquerda no Estado, que atuaram por meses em compasso de espera.

Enquanto o PSB e o PT reconstruiam opções, houve também tentativas de costurar uma frente em torno de Alexandre Kalil (PDT). A aproximação esbarrou na resistência de Kalil em vincular sua candidatura ao PT e no acerto posterior com o PSDB, que acabou indicando vice na chapa. Paralelamente, tentativas de acomodação entre PT e MDB, envolvendo nomes como Gabriel Azevedo, não prosperaram, até a consolidação do nome petista. No rastro desses movimentos, crises internas envolvendo Mateus Simões (PSD), Marcelo Aro (PP) e Cleitinho Azevedo (Republicanos) mudaram alianças e selaram novos campos de disputa.

O saldo é uma corrida que parte de uma base mais fragmentada e com menor previsibilidade. Politicamente, a desistência de um nome de projeção nacional como Pacheco expõe o custo de apostar em soluções centralizadas e amplia a necessidade de costura local por parte do PT. Para o Planalto, fica a lição de que influência não se transforma automaticamente em palanque; para a oposição, abre-se a janela para explorar divisões, mas também o desafio de montar uma alternativa consistente diante de tantas recomposições. Em essência, Minas sai das convenções com o jogo reaberto e com pressão sobre os partidos para transformar articulações voláteis em projeto eleitoral sustentável.