A Polícia Federal, na Operação Compliance Zero, identificou uma articulação em torno da Emenda nº 11 à PEC 65/2023 — batizada pelos investigadores de 'Emenda Master'. Segundo o inquérito, a proposta visava ampliar a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), elevando o teto atual de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por CPF e instituição.
Investigadores afirmam que o texto da emenda foi produzido por técnicos ligados ao Banco Master e posteriormente protocolado no Senado pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI). Relatórios da PF indicam que a versão registrada no Congresso reproduzia integralmente o material originado pela instituição financeira. O senador Jaques Wagner (PT-BA) aparece como interlocutor em mensagens e recebeu link da proposta em agosto de 2024, segundo a apuração.
Para a PF, a medida teria potencial para alterar a dinâmica do sistema financeiro ao fortalecer a captação e a confiança em bancos em expansão — um benefício direto para o Master, na avaliação dos investigadores. O inquérito associa a atuação parlamentar a recebimento de vantagens citadas pelos investigadores, como repasses financeiros, uso de aeronaves privadas, hospedagens e até aquisição de imóvel apontado no procedimento.
Líder do governo no Senado e os senadores citados negaram irregularidades e contestaram fatos relacionados ao imóvel. A existência da Emenda Master, sua origem e o eventual favorecimento corporativo acendem alerta sobre o grau de influência do setor privado na formulação de normas financeiras e ampliam o desgaste político para aliados, caso as suspeitas se confirmem. A apuração segue em curso.