A legislação brasileira prevê uma solução para o cenário quase hipotético de dois candidatos receberem exatamente a mesma quantidade de votos válidos no segundo turno: vence o mais velho. A regra consta do artigo 110 do Código Eleitoral e funciona como critério administrativo para desempate quando não há diferença numérica entre os concorrentes.
Matematicamente possível, o empate perfeito é, no entanto, extremamente improvável diante do volume de votos em uma eleição presidencial. Em um exemplo didático com 120 milhões de votos válidos, a chance de os dois chegarem exatamente a 60 milhões cada um foi estimada em cerca de uma em 13.730 no modelo simplificado citado por especialistas. O cálculo é ilustrativo e não considera variáveis políticas, regionais e comportamentais que tornam o empate ainda mais remoto.
Na prática eleitoral e simbólica, a regra tem consequências: se precisasse ser aplicada em um domingo de votação — como 25 de outubro em cenários recentes —, o critério etário definiria o vencedor. No material-base usado para esta reportagem, o exemplo mostra que Luiz Inácio Lula da Silva (80 anos) levaria vantagem sobre Flávio Bolsonaro (45 anos) por força do desempate por idade.
É importante distinguir esse desempate legal do chamado 'empate técnico' nas pesquisas, que apenas indica aproximação dentro da margem de erro e não igualdade de votos nas urnas. Ainda que improvável, a hipótese real de empate absoluto pode gerar embates jurídicos, narrativas de campanha e pressão sobre as instituições eleitorais — razões suficientes para que partidos, equipes jurídicas e institutos de pesquisa considerem margens de segurança ao traçarem estratégias.
No primeiro turno a norma é outra: se houver empate na quantidade de votos válidos entre candidatos que disputariam a vaga direta, a eleição segue para o segundo turno — não existe 'terceiro turno'. A existência de um critério formal de desempate evita lacunas legais, mas a dimensão política de um resultado decidido por idade seria alvo de intensa discussão pública e de custos reputacionais para quem sair derrotado por esse mecanismo.