A deputada federal Erika Hilton (PSol-SP) encaminhou ao Ministério Público Federal (MPF) uma representação para que o órgão adote medidas contra a promoção de apostas por comentaristas esportivos durante transmissões, incluindo partidas da Copa do Mundo. No documento, a parlamentar afirma que certos profissionais estariam se valendo da autoridade e da confiança conquistadas junto ao público para divulgar palpites e divulgar odds, mecanimos usados pelas plataformas de apostas para calcular retornos financeiros.
Hilton argumenta que a recomendação de apostas em tela pode estimular comportamentos de risco e atingir públicos mais vulneráveis, contribuindo para o aumento do endividamento e da dependência em jogos de azar. No pedido ao MPF ela aponta a relação entre a expansão do mercado de bets e problemas sociais, além de qualificar a prática como ameaça à saúde pública, sobretudo entre jovens.
“É inaceitável um comentarista usar a sua posição de especialista para induzir os telespectadores a apostarem” — Erika Hilton
A deputada volta a criticar o crescimento das apostas on-line no país e sustenta que a influência de especialistas na mídia não deveria ser usada para incentivar apostas. Em documento e em declarações públicas anteriores, Hilton reafirma a preocupação social com a propagação desse tipo de conteúdo durante transmissões esportivas e com seus efeitos sobre famílias e públicos em situação de vulnerabilidade.
A representação ao MPF pede providências específicas para coibir a promoção de palpites e odds por comentaristas e chama atenção para o conflito entre interesse comercial do mercado de apostas e a proteção ao consumidor. O caso abre espaço para debate sobre responsabilidade editorial de emissoras e limites à publicidade indireta em programas esportivos, mas cabe ao MPF avaliar as medidas cabíveis diante das alegações apresentadas.