A deputada federal Erika Hilton (PSol-SP) acusou a Meta de restringir a circulação de conteúdos contrários ao candidato Flávio Bolsonaro a poucos dias do segundo turno. Hilton citou a retirada do vídeo do projeto Revelando, apresentado por MC Cabelinho, e relatou relatos de apoiadores sobre queda no alcance e dificuldades para compartilhar publicações críticas ao senador.
A Meta justificou a medida com base em regras eleitorais relacionadas ao uso de inteligência artificial, informando que seus sistemas identificam sinais de conteúdo gerado ou alterado por IA. A equipe do projeto negou ter usado a tecnologia e cobrou uma explicação técnica individualizada; até agora não há, publicamente, uma análise que clarifique qual elemento do material motivou a restrição.
Na manifestação, Hilton afirmou ainda que influencers, páginas de notícias e apoiadores do presidente Lula enfrentaram limitações semelhantes, e relacionou o episódio às propostas que atribui a Flávio Bolsonaro — da mudança de jornada 6x1 a possíveis ajustes no Bolsa Família e no salário mínimo. A deputada classificou a ação como 'interferência no debate eleitoral' e alertou para o impacto na mobilização de eleitores às vésperas da votação.
O caso acende alerta sobre o papel das plataformas na regulação do conteúdo em campanhas: além de potenciais vieses na aplicação de políticas automatizadas, a falta de transparência técnica aumenta a percepção de censura e pode amplificar desgaste político. A disputa coloca pressão sobre a Meta para detalhar critérios, ao mesmo tempo em que revela um novo campo de disputa entre regulação tecnológica e liberdade de expressão no calendário eleitoral.