A deputada federal Erika Hilton (PSol-SP) aproveitou a eliminação do Brasil na Copa do Mundo para cobrar, em publicação nas redes sociais neste domingo (5/7), maior celeridade do Senado na análise da proposta de emenda à Constituição que extingue a escala 6x1. Na comparação feita pela parlamentar, a derrota em campo contrasta com a possibilidade — nas mãos do Congresso — de uma vitória para os trabalhadores.

A PEC, aprovada pela Câmara no fim de maio, prevê a redução da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, preserva salários e cria um modelo que garante dois dias de descanso a cada cinco trabalhados. Desde sua chegada ao Senado, porém, a matéria não avançou: apoiadores calculam mais de um mês de paralisação e atribuem a lentidão a ações de setores da oposição e do empresariado para esfriar o debate.

O povo está sendo derrotado

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), rejeitou a tramitação acelerada e defendeu que a proposta siga para apreciação nas comissões temáticas antes do plenário — posicionamento que aliados da PEC apontam como um dos principais entraves. A divergência sobre o rito ressalta o impasse entre velocidade política e a rotina deliberativa da Casa, e amplia o desgaste em torno de um tema sensível ao eleitorado e às centrais sindicais.

A reação de Erika e a pressão de movimentos sindicais mantêm a pauta em destaque e colocam o Senado sob o termômetro público: se a proposta ficar parada, a oposição e representantes dos trabalhadores tendem a explorar politicamente o congelamento; se avançar, haverá custos e concessões a negociar com o empresariado. Em jogo está não só a alteração de regras trabalhistas, mas também o custo político de quem optar por atrasar ou acelerar a decisão.