A deputada federal Erika Hilton atribuiu a erros internos do PSol parte do desempenho que deixou a legenda abaixo da cláusula de barreira nas eleições de 2026. Em entrevista publicada na Folha de S. Paulo, ela apontou decisões de prioridade — entre elas a recusa a uma federação com o PT e critérios de alocação de verbas de campanha — como determinantes para o resultado. Hilton citou ainda que já começou conversas com o PT e não descartou migrar de sigla a partir de 2027, sinalizando um desmonte gradual da coesão interna caso o partido não revise sua estratégia.
No centro da crítica está a redistribuição dos recursos de campanha: segundo a parlamentar, o PSol teria destinado repasses elevados a candidaturas de menor potencial eleitoral, enquanto nomes com maior capacidade de votos receberam apoio insuficiente. O caso da candidatura de Sofia Favero a deputada estadual em São Paulo foi usado como exemplo — financiamento considerado abaixo do necessário, que demandou esforços extras e, na avaliação de Hilton, ainda assim mostrou potencial. Essa ordenação de prioridades, diz a deputada, agravou o desempenho coletivo e ajudou a impedir que o partido superasse a cláusula de barreira.
A rejeição interna à federação com o PT também aparece como ponto de inflexão. Hilton nega que as divergências constituam um racha, mas admite que prevaleceu um campo contrário à aliança, o que agora evidencia custo político: ela argumenta que a federação teria ampliado presença da esquerda em estados onde a direita e a extrema direita têm maior força e dado mais segurança para driblar a cláusula. A movimentação de uma figura pública como Hilton para o PT, se efetivada, não apenas reforçaria o partido do presidente Lula em determinados cargos, mas também exporia a fragilidade organizacional e a capacidade de retenção do PSol.
O cenário descrito pela deputada acende alerta sobre a necessidade de revisão do modelo de governança e distribuição de recursos do PSol. Politicamente, a hipótese de migração amplia o desgaste da legenda e complica a narrativa oficial de unidade do campo de esquerda, obrigando lideranças a avaliações abertas sobre prioridades e alianças para 2027. Para a base eleitoral, resta a leitura de que a disputa agora passa por ajustes organizacionais, negociações internas e redesenho de estratégias que determinem se o PSol seguirá como força autônoma ou verá parte de seu projeto ser absorvido por siglas maiores.