A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) já conseguiu mais da metade das assinaturas necessárias para protocolar o pedido de criação da CPI das Big Techs na Câmara dos Deputados, informou sua equipe. Segundo o material divulgado pela parlamentar, ainda faltam cerca de 80 apoios para atingir o mínimo de 171 assinaturas exigido pelo regimento da Casa.

O requerimento concentra a investigação em empresas como a Meta — dona do Instagram, Facebook, Threads e WhatsApp — e mira aspectos como algoritmos de recomendação, uso de ferramentas de inteligência artificial e a circulação de conteúdos políticos nas redes. ONGs e pesquisadores citados na justificativa apontam remoção de contas, redução de alcance e anúncios eleitorais irregulares, alegações que, se a CPI for instalada, passarão por apuração formal.

Hilton anunciou nas redes que pretende mobilizar apoiadores para pressionar os parlamentares que ainda não assinaram. A coleta de assinaturas é uma etapa necessária, mas não suficiente: mesmo com 171 nomes, o pedido depende da leitura pelo presidente da Câmara e da indicação dos integrantes pelos líderes partidários. O movimento, porém, já tem impacto político ao colocar as plataformas no centro do debate público a poucos meses das eleições de 2026.

A iniciativa tende a acender alerta sobre regulação de grandes empresas de tecnologia e pode ampliar desgaste sobre parlamentares que resistirem à pressão pública. Para adversários e aliados, a CPI representa arma política e agenda regulatória; para as plataformas, a investigação pode exigir respostas técnicas e legais sobre moderação, anúncios e algoritmos. Resta acompanhar se o impulso nas assinaturas se transformará em comissão efetiva e em medidas concretas no Legislativo.