A deputada Érika Hilton (PSOL-SP) protocolou no Supremo Tribunal Federal pedido para o levantamento do sigilo de investigações que envolvem o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro. No ofício encaminhado ao presidente da Corte, Edson Fachin, e aos ministros André Mendonça e Flávio Dino, Hilton sustenta que a divulgação parcial de atos processuais cria um ambiente de informação assimétrica que compromete a transparência das apurações e a confiança nas instituições.
O pedido lista explicitamente o Inquérito nº 5.026/DF e as Petições nº 16.662/DF, 15.676/DF e 16.669/DF, além dos processos apensados, e reclama a publicação de decisões, manifestações da Procuradoria-Geral da República, relatórios da Polícia Federal, depoimentos e documentos já incorporados aos autos. A deputada admite exceções para dados que possam prejudicar diligências em curso e sugere o tarjamento de trechos sensíveis em vez da manutenção integral do segredo.
A iniciativa chega num momento de contorno tenso entre ministros: decisões conflitantes recentes — como a determinação de afastamento dos diretores da PF por Mendonça e a suspensão dessa medida por Dino — colocaram a direção da Polícia Federal no centro da controvérsia. A Presidência do STF também requisitou esclarecimentos sobre procedimentos envolvendo autoridades com foro por prerrogativa, o que amplia a dimensão institucional do caso. Para Hilton, a coexistência de processos públicos e sigilosos sobre o mesmo conjunto de fatos dificulta o controle social e favorece especulações.
Do ponto de vista institucional, o ofício busca forçar uma resposta que reduza a assimetria informacional: além do levantamento de sigilo, pede-se a publicação de uma relação atualizada dos processos no Supremo com indicação de relatores e fase processual, e justificativa individual para eventuais restrições. A demanda aumenta a pressão sobre o STF para que o plenário uniformize critérios e minimize os efeitos políticos e reputacionais de decisões fragmentadas.