A Câmara aprovou em dois turnos a PEC 221/19, que prevê a redução gradual da jornada semanal para 40 horas sem perda salarial. No segundo turno, o texto recebeu 461 votos favoráveis e 19 contrários, em sessão que ganhou tom ríspido ao discutir custo político e narrativa sobre direitos trabalhistas.
O bate‑boca ocorreu quando o deputado André Fernandes (PL‑CE) acusou a deputada Erika Hilton (PSOL‑SP) de estar “humilhada” diante do governo por não ter conseguido impor a versão original sobre jornada 4x3. A referência serviu de mote para críticas sobre estratégia política e retórica no plenário.
Erika devolveu a provocação e apontou para a incoerência que vê na oposição: em vez de admitir a mudança de posição, legisladores tentaram montar um teatro. A deputada também citou o passado digital do parlamentar como forma de rebater o tom moralizador usado pelo colega, ressaltando que a reação real veio da pressão das categorias e da sociedade.
O episódio expõe um risco político para o PL: a alteração de voto anunciada às vésperas da votação fragiliza a retórica oposicionista e pode ser explorada como sinal de perda de base em pautas sociais. Para o governo, a aprovação amplia um ganho concreto, mas também deixa o campo político em movimento, com efeitos sobre articulações e narrativa até 2026.