A presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara, Erika Hilton (PSol-SP), disse nesta terça-feira que o principal entrave à aprovação do projeto que criminaliza a misoginia não é a falta de apoio parlamentar, mas a resistência em levar a proposta ao Plenário. O texto, já aprovado pelo Senado, aguarda inclusão na pauta da Casa e, segundo a deputada, sofre bloqueios por meio de negociações e acordos de bastidores.
Hilton sustenta que o apoio para aprovação existe e que o esforço de opositores tem sido evitar a exposição pública do voto contrário. "Há articulação para que o projeto nunca seja pautado", afirmou, apontando que parlamentares contrários preferem não assumir uma posição pública que poderia repercutir negativamente junto ao eleitorado. A crítica expõe um conflito entre maioria nominal e controle da agenda legislativa.
O debate sobre o assunto ganhou novo impulso após declarações da primeira-dama, que defendeu tratar o tema sem viés ideológico; a manifestação recebeu apoio de Hilton, que, no entanto, relembrou divergências com o posicionamento público de Michelle Bolsonaro ao longo do tempo. A deputada também relacionou episódios recentes nas redes sociais, quando ataques a mulheres de diferentes espectros políticos reacenderam a discussão sobre violência de gênero e violência política contra mulheres.
A tentativa de segurar a tramitação do PL traduz-se em custo político para os que adotam essa tática: além de postergar a criação de instrumento legal considerado por defensores como essencial para proteção das mulheres, a manobra deixa exposta a estratégia de evitar debates sensíveis em vez de enfrentá‑los. Se a proposta for levada a voto, afirma Hilton, há chances reais de aprovação — o que transforma o bloqueio de pauta em decisão política com consequências eleitorais e institucionais para o Congresso.