O ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino autorizou a abertura de um terceiro inquérito envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, por suspeita de tráfico de influência em órgãos federais. A decisão, somada à investigação da Polícia Federal sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social conhecida como Operação sem Desconto, amplia o foco sobre pessoas do círculo mais próximo do presidente. Dino também determinou apuração sobre possíveis vazamentos de informações sigilosas ligadas aos procedimentos, medida que reconhece o potencial de contaminação da investigação e aumenta a tensão nos bastidores políticos.

No centro do novo desconforto está o repasse financeiro ao ex-chefe de gabinete da Presidência, Marco Aurélio Santana Ribeiro — o chamado Marcola — por parte de Roberta Luchsinger, empresária que figura entre os investigados na operação sobre o INSS. O valor da transferência não foi divulgado. Marcola admitiu ter recebido recursos, classificando-os como um empréstimo entre particulares, posteriormente quitado, e negou irregularidades. A versão é conhecida no Planalto, mas não apaga a dimensão política do episódio: a movimentação expõe vínculos e cria uma narrativa adversa em plena campanha eleitoral.

A repercussão provocou desconforto no PT e um dilema prático para a campanha presidencial: manter um auxiliar histórico e de confiança ou afastá-lo para conter o desgaste público. Auxiliares e interlocutores do governo destacam a necessidade de documentos que comprovem a origem e a natureza do repasse; no entanto, a exigência de comprovação pode não ser suficiente para frear o custo político imediato. Se não forem apresentados elementos robustos, o caso tende a alimentar a oposição e a imprensa, reforçando sinais de desgaste e complicando a tentativa do Planalto de transformar a agenda em tema central da disputa eleitoral.

A defesa de Lulinha afirmou que receberá a investigação com “serenidade” e que haverá colaboração integral com as apurações; o advogado também confirmou reunião com o ministro da Justiça para tratar do assunto. Essas reações buscam conter a escalada, mas não neutralizam o problema institucional: decisões do STF que autorizam investigação de pessoas ligadas ao presidente reforçam a ideia de controle externo sobre o Executivo, ao mesmo tempo em que expõem fragilidades na gestão de pessoal e de comunicação. Em resumo, o episódio move o problema do plano policial para o tabuleiro político — onde a pressão, o custo reputacional e as escolhas sobre aliados podem ter consequências concretas para a campanha e para a imagem do governo.