A Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, aproximou o escândalo do Banco Master do coração do governo com a deflagração de diligências contra o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). Autoridades cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao parlamentar, em medida autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. A ação marca a 9ª fase da investigação que apura um esquema de fraudes e pagamentos envolvendo o dono do Master, Daniel Vorcaro, e empresários próximos, e traz o nome do senador para o centro de um caso que pode ter repercussões políticas amplas.
Segundo a PF, foram apreendidos US$ 55 mil em espécie — cerca de R$ 440 mil — distribuídos entre um apartamento de uso de Wagner em Brasília e imóveis na Bahia; US$ 49 mil estavam no imóvel de Brasília. A investigação também aponta o pagamento de aproximadamente R$ 3,5 milhões a empresas ligadas ao núcleo familiar do senador e a aquisição, atribuída a benefícios recebidos, de um imóvel em Salvador avaliado em R$ 2,4 milhões. Em sua defesa, Wagner negou envolvimento em irregularidades e ressaltou que não foi denunciado ou formalmente acusado até o momento.
A apuração descreve uma dinâmica em que vantagens econômicas teriam sido oferecidas em troca de atuação parlamentar favorável ao Master. Entre os pontos levantados pela PF estão a participação do senador em discussões sobre emendas relativas ao crédito consignado e à Emenda nº 11 à PEC nº 65/2023, que tratava do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Investigadores citam mensagens, chamadas, encontros e viagens que teriam aproximado Wagner de Augusto Lima — ex-sócio de Vorcaro e controlador do extinto Banco Pleno — e de outros interlocutores. Em um dos trechos ressaltados no relatório, Lima envia a Wagner a mensagem: “Você mais do que ninguém sabe da minha história e faz parte disso.”
A investigação também menciona tentativas de usar instrumentos do mandato para influir na operação de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), transação que acabou vetada pelo Banco Central. Para o governo, a presença do líder no epicentro das apurações representa risco político imediato: além de expor aliados a críticas por proximidade com investigados, a notícia tende a agravar o desgaste da base no Congresso e a complicar a agenda legislativa nos meses que precedem eleições. Politicamente, o caso acende alerta para a necessidade de respostas claras da liderança governista e impõe custo político à articulação no Senado, que passa a ter de gerir pressões internas e externas sobre a conduta e a imagem do seu principal articulador.