O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou ter confiança de que a proposta de emenda à Constituição que acaba com a escala 6x1 possa ser votada em agosto, depois do recesso parlamentar. Segundo ele, o Senado deve funcionar em esforço concentrado e de forma remota para destravar pautas consideradas prioritárias pela base. A declaração traz a agenda de volta ao radar político em um momento de atenção ao custo fiscal das propostas.

A PEC é classificada internamente como 'pauta-bomba' por seu impacto nas contas públicas: estimativas do Ministério da Fazenda apontam em torno de R$ 3 bilhões anuais de pressão sobre os regimes de previdência. O dado reforça a necessidade de avaliação técnica antes de qualquer orientação governista, especialmente porque medidas com efeito fiscal permanente colocam em xeque a agenda de responsabilidade fiscal que o governo afirma perseguir.

Além da 6x1, Randolfe listou outras PECs que ficaram para o segundo semestre — entre elas a da Segurança Pública e a que trata de minerais críticos — e ressaltou que a tramitação depende também de uma melhora na relação entre o Executivo e a presidência do Senado. O embate envolvendo a rejeição da indicação do AGU ao STF contribuiu para o desgaste entre o Planalto e o Congresso, o que pode retardar votações sensíveis e exigir negociações político-institucionais.

Sobre a PEC que cria aposentadoria especial para agentes de saúde, o governo ainda não fechou posicionamento: há espaço para recomendar voto favorável ou liberar a bancada. Do ponto de vista político, a opção ilumina um dilema clássico entre custo eleitoral e custo fiscal. Se avançar, a proposta exigirá articulação e compensações; se for barrada ou protelada, amplia o risco de desgaste com categorias e pressiona aliados a buscar saídas legislativas alternativas.