A Polícia Federal apreendeu nesta semana a espingarda do ex-presidente Jair Bolsonaro que havia sido doada por um fabricante de armamentos. Segundo o relatório anexado ao processo, a arma — uma Maestro Arms — estava acondicionada em um case na sede da empresa em Cachoeirinha (RS) e trazia customização estética nas cores da bandeira nacional, com a inscrição 'Ordem e Progresso'.
A apreensão integra a ordem do Supremo Tribunal Federal para recolhimento de todas as armas registradas em nome de Bolsonaro, determinada após a localização de uma pistola com um segurança do ex-mandatário em Brasília. De acordo com os autos, a espingarda apreendida foi transferida para o nome de Bolsonaro em 2022, mas nunca foi retirada por ele no Rio Grande do Sul.
A defesa havia informado ao STF que o armamento estava em poder da empresa, sem contudo fornecer localização precisa ou documentação complementar. A PF diz que o representante da companhia demonstrou "boa-fé e pleno intento de colaborar com a Justiça" e autorizou a busca; a foto da arma foi anexada ao relatório policial como registro da apreensão, que incluiu carregadores desmuniciados.
Além do valor simbólico da personalização, a descoberta acende alerta e expõe contradição entre o registro formal das armas e o manejo prático do acervo declarado do ex-mandatário. A medida do STF e a ação da PF reforçam a necessidade de transparência e de esclarecimentos da defesa sobre a cadeia de posse — e complicam a narrativa oficial ao ampliar o foco sobre controle, responsabilidades e riscos políticos associados ao tema.