O Partido Liberal (PL) oficializou nesta sexta-feira a candidatura de Rebeca Ramagem a deputada federal pelo Rio de Janeiro. O lançamento na convenção estadual ocorre em meio a um quadro político sensível: Rebeca vive nos Estados Unidos ao lado do marido, Alexandre Ramagem, ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), condenado pela Primeira Turma do STF a 16 anos de prisão por participação nos atos de 8 de janeiro.
Rebeca é servidora concursada do Ministério Público e pediu licença do cargo no início de julho para disputar as eleições. Nas redes sociais, ela afirma que a família sofre “perseguição” e avaliza a iniciativa de buscar um mandato parlamentar para “voltar” ao país, conforme declaração divulgada por aliados durante a convenção. O lançamento teve ainda menção ao apoio e à indicação da família Bolsonaro, uma sinalização política relevante para a aliança entre o PL e parcelas do eleitorado conservador.
A decisão coloca o PL diante de um dilema político: ao abraçar a candidatura, o partido aposta em capitalizar a base bolsonarista ao mesmo tempo em que se expõe a riscos reputacionais. A presença de um nome ligado a um condenado e a um episódio que abalou as instituições — e que terminou com a saída de Alexandre Ramagem do país, segundo a Polícia Federal, pela fronteira de Roraima com a Guiana, supostamente com uso de passaporte diplomático — tem potencial para gerar questionamentos sobre responsabilidade partidária e custo eleitoral em áreas mais moderadas.
Do ponto de vista eleitoral, a candidatura de Rebeca pode funcionar como mobilizadora dentro de nichos afins, mas também tende a ser explorada pela oposição como símbolo de tolerância a condutas graves. Além do impacto em imagem, há implicações práticas: campanhas exigem trânsito local e exposição pública, o que pode criar desafios logísticos e estratégicos para uma candidata que divide residência entre o exterior e o Brasil. Politicamente, o episódio reforça a polarização e coloca em evidência a escolha do PL entre ampliar a fidelidade de sua base ou tentar proteger-se de desgastes perante o eleitorado mais amplo.