A mobilização digital que ajudou Luiz Inácio Lula da Silva na reta final da corrida presidencial ganhou outro contorno: o modelo de organização em massa em canais de WhatsApp, associado ao deputado André Janones e apelidado de 'Exército de Lula', começou a ser replicado por grupos da esquerda na França, Espanha e Argentina. No Brasil, o canal ligado a Janones reuniu mais de 10 milhões de pessoas e foi apontado como ferramenta central na articulação da fase decisiva da eleição de 2026.

Na França, movimentos próximos a Jean‑Luc Mélenchon criaram comunidades inicialmente independentes — como os 'Soldados Insubmisos' — antes de a legenda adotar um canal oficial. A reprodução inclui a divisão de tarefas entre integrantes, a convocação coordenada para ações nas redes e até instruções táticas, como o bloqueio de perfis adversários, com mensagens divulgadas em francês e em português, segundo os próprios organizadores.

Na Espanha, apoiadores do primeiro‑ministro Pedro Sánchez montaram um espaço semelhante chamado 'La fuerza de la gente' para concentrar vídeos, discursos e imagens oficiais em preparação para as eleições gerais convocadas para 29 de novembro de 2026. E na Argentina, aliadas e apoiadores de lideranças progressistas também passaram a estruturar comunidades digitais que se espelham no formato brasileiro, com adaptações locais às realidades políticas de cada país.

O movimento internacional ocorre em meio a um cenário regional e global marcado pelo fortalecimento de forças conservadoras: na América do Sul, por exemplo, há mais governos identificados com a direita do que com a esquerda. Diante disso, organizações progressistas veem na articulação de comunidades digitais uma resposta para disputar agenda e visibilidade nas plataformas, transformando a mobilização online em peça central das campanhas.

A disseminação desse modelo tem consequências políticas e institucionais concretas: expõe a capacidade de replicação de táticas digitais e acende alerta sobre a intensidade da disputa por narrativas nas redes. Para adversários e plataformas, a prática representa um desafio — tanto em termos de moderação quanto de regulação do uso coordenado de massa. Em suma, a tática que ajudou na virada eleitoral brasileira não é apenas imitada: redesenha a batalha eleitoral virtual em 2026 e 2027, obrigando respostas estratégicas de partidos, concorrentes e operadores das plataformas.