A propaganda eleitoral gratuita para o governo de Minas começou na sexta-feira (28/8) e vai até 1º de outubro, com blocos às segundas, quartas e sextas. Na televisão, os candidatos têm exibição em horários fixos e, no rádio, janelas matutina e ao meio-dia; o período inclui ainda inserções ao longo da programação. Na abertura, além dos programas ao governo, houve apresentações de postulantes ao Senado e à Assembleia, e participações de aliados com perfil nacional — entre eles, figuras como Lula e Nikolas Ferreira — que já sinalizam a possibilidade de temas nacionais influenciarem a corrida estadual.

O governador e candidato à reeleição teve o maior tempo individual de exibição e dedicou a propaganda a consolidar um roteiro de recuperação: pagamento de salários em dia, investimentos em estradas, hospitais regionais e obras metropolitanas foram apresentados como sinais de mudança em relação a gestões anteriores. O programa também citou uma queda expressiva da criminalidade, sem detalhar o recorte estatístico. No tom, houve reconhecimento de problemas ainda presentes, mas a ênfase foi na narrativa de transição do 'não' para o 'sim' — uma tentativa clara de transformar o exercício do Executivo em argumento eleitoral e ampliar a legitimidade do mandato para 2026.

Do lado oposicionista, candidatos menores aproveitaram o primeiro contato maciço com eleitores para se apresentarem e se diferenciarem dos grupos tradicionais. Um dos programas assumiu a condição de desconhecimento entre parte do eleitorado e apresentou propostas programáticas como resposta à repetição dos mesmos nomes na política estadual. A estreia do palanque do campo conservador incluiu a participação direta de um deputado federal, em cena que buscou criticar o PT e responsabilizar o estado pelo endividamento, recurso que tende a polarizar e mobilizar núcleos eleitorais já definidos.

Politicamente, a abertura oficial do horário mostra três efeitos principais: primeiro, o governador usa a largada para transformar realizações administrativas em argumento de campanha, o que requer verificação cuidadosa das cifras e dos índices apresentados; segundo, a presença de aliados nacionais pode nacionalizar a disputa e elevar os riscos de contaminação por temas federais; terceiro, a estratégia de se apresentar como alternativa aos “mesmos” atores pretende capitalizar o desgaste percebido, mas dependerá da capacidade concreta desses candidatos de transformar visibilidade em estrutura eleitoral. Para o eleitor, a temporada inaugurou um esforço de afirmação e de contestação que promete elevar a intensidade do debate, tornando cruciais próximos capítulos e a checagem dos números exibidos em rede.