Uma pesquisa do DataFolha encomendada pela Fundação Itaú e pelo Todos Pela Educação mostra que os estudantes colocam a melhoria do ensino e da aprendizagem entre as principais expectativas em relação aos governos que se iniciam em 2027. Do total de 5.296 entrevistados do ensino fundamental II e médio, 25% indicaram que mudanças no ensino são a prioridade para o próximo ciclo de gestão.

Os números detalham demandas concretas: 11% apontam a atuação dos professores como fator decisivo para a melhora, 20% destacam necessidade de investimentos em infraestrutura — manutenção, ar‑condicionado e equipamentos — e 5% pedem novas dinâmicas e aulas diferentes. Problemas do cotidiano escolar aparecem com frequência: indisciplina (40%), casos de bullying (33%), falta de internet ou equipamentos (33%), ausência de professores (27%) e aulas pouco interessantes (24%).

O levantamento também traz indicadores que têm implicação direta para políticas públicas: a percepção sobre a clareza das explicações dos docentes impacta a avaliação da escola (75% avaliaram a escola como boa ou ótima quando dizem que os professores explicam bem; 48% quando afirmam o contrário). Diferenças por etapa mostram queda de motivação no ensino médio (69%) em relação ao fundamental II (78%), e a falta de docentes é vista como carência grave por 66% dos alunos do ensino médio.

Além do diagnóstico educacional, a pesquisa expõe um risco político e social: 36% dos estudantes consideraram abandonar os estudos nos últimos seis meses — proporção mais alta entre quem avalia a escola como ruim ou péssima (26%) e entre os que trabalham (18%). A desistência tem como primeiras causas problemas de bem‑estar emocional (29%) e a atração do mercado de trabalho para garantir renda (21% por busca de independência; 17% por necessidade).

O conjunto de sinais é um recado direto para governantes e candidatos: priorizar apenas discurso não basta. A agenda exigida pelos alunos é técnica e operacional — contratação e formação de professores, manutenção e equipamentos, atendimento a saúde mental e soluções para conectividade — e tem efeitos mensuráveis sobre retenção escolar e qualificação da força de trabalho. Para quem assumir em 2027, ignorar essas demandas pode traduzir‑se em custo político real, maior evasão e perda de capital humano; agir exige combinar recursos, foco em resultados de aprendizagem e metas claras de curto prazo.