Estudantes de universidades e instituições de ensino fizeram manifestações durante a semana em ao menos 13 estados e no Distrito Federal em defesa da educação pública, dos direitos básicos e da democracia. A mobilização, convocada pela União Nacional dos Estudantes (UNE), oficializou o apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno e teve atos em locais como a Candelária, no Rio de Janeiro, que saiu em caminhada pela Avenida Rio Branco até a Cinelândia.
Em São Paulo houve concentrações em faculdades particulares — entre elas Cásper Líbero e Mackenzie — e na Praça Roosevelt. Em Palmas, estudantes da Universidade Federal do Tocantins (UFT) protestaram em defesa de pautas que, nas palavras de participantes, extrapolam o apoio partidário e tocam a preservação de direitos civis e de minorias. Na Universidade de Brasília (UnB), integrantes de centros acadêmicos e secundaristas se somaram ao ato com críticas à perda de valorização da universidade pública.
A abrangência geográfica — com registros em Minas Gerais, Paraíba, Maranhão, Piauí, Bahia, Mato Grosso do Sul, Sergipe, Rio Grande do Sul, Ceará, Amapá e Paraná — confere à mobilização um caráter nacional e político que vai além de protestos setoriais. Para a campanha de Lula, os atos representam uma tentativa clara de consolidar o voto jovem e universitário, traduzindo engajamento social em capital político no segundo turno. No campo oposto, a iniciativa pode ser utilizada pela concorrência para questionar a neutralidade de entidades estudantis e revisar narrativas sobre partidarização dos espaços acadêmicos.
Politicamente, a movimentação tem efeito duplo: fortalece coesão de base e visibilidade pública para pautas da educação e dos direitos, mas também amplia o campo de disputas simbólicas e a exposição a críticas que podem incomodar eleitores moderados. Ainda assim, para além do viés eleitoral imediato, os atos mostram preocupação real de setores da juventude com políticas públicas e respeito a instituições — um sinal que as campanhas terão de incorporar ou enfrentar nas próximas semanas.