Milhares de estudantes voltaram a ocupar ruas de várias cidades nas vésperas do segundo turno, numa mobilização que coloca a defesa da democracia e da educação pública no centro do debate eleitoral. Em entrevista à Agência Brasil, a presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bianca Borges, afirmou que a ativação do movimento estudantil responde à percepção de risco para as instituições e para as políticas educacionais caso prospere um projeto autoritário, apontando a disputa presidencial como muito além de uma escolha de nomes.

A UNE resgatou a trajetória histórica dos estudantes brasileiros em momentos decisivos — desde a resistência à ditadura, passando pelas Diretas Já, até manifestações por impeachment e protestos contra políticas do governo anterior — para justificar a retomada das ruas. Bianca Borges, formada em direito pela USP e com passagem por lideranças no DCE da universidade e na União Estadual dos Estudantes de São Paulo, encabeça a mobilização que combina caráter reivindicatório e simbólico.

Os protestos também tiveram foco em demandas concretas: as entidades denunciam subfinanciamento das universidades públicas e cobram ampliação da assistência estudantil para garantir permanência de ingressantes de baixa renda. No plano jurídico-institucional, o movimento ganhou destaque quando o ministro do TSE Ricardo Villas Bôas Cueva negou pedido para bloquear publicações de dirigentes de movimentos sociais e estudantis, decisão que preservou a participação das entidades no debate público durante a etapa decisiva da eleição.

Do ponto de vista político, a retomada das ruas sinaliza que a educação e a defesa das instituições devem permanecer na agenda do segundo turno e que a juventude organizada pode pressionar candidatos e congressistas a responderem com propostas concretas. A UNE pede que a mobilização não se restrinja ao período eleitoral, argumentando que a continuidade da organização é condição para transformar reivindicações em políticas públicas, em especial financiamento e assistência — temas que, se não resolvidos, terão impacto direto na capacidade de inclusão do sistema universitário.