Um breve encontro entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, durante a reunião ministerial da OCDE na França deixou um recado claro: Washington disse estar aberto a dialogar sobre as tarifas adicionais que o USTR propôs sobre produtos brasileiros. Segundo apuração, Greer afirmou ao chanceler a disposição de debater as questões comerciais em curso entre os dois países.
A conversa ocorre no contexto de dois desdobramentos do USTR: um relatório que concluiu haver falhas em 60 países — entre eles o Brasil — na proibição e fiscalização de importações produzidas com trabalho forçado, o que motivou a proposta de tarifas adicionais de 12,5%; e um segundo relatório que acusa práticas brasileiras que oneram ou restringem o comércio com os EUA e sugere a aplicação de alíquotas de 25%. O governo americano deixou claro que, se confirmadas, as medidas podem ser aplicadas cumulativamente aos produtos afetados.
Vieira destacou a necessidade de intensificar as negociações bilaterais e lembrou o prazo de 30 dias acertado entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump em Washington. O intervalo ganhou relevância política: é a janela para tentar uma solução negociada e evitar impacto imediato sobre setores exportadores. Do ponto de vista econômico, a perspectiva de tarifas elevadas representa risco direto à competitividade de cadeias produtivas brasileiras e amplia a pressão sobre a diplomacia comercial do governo.
O encontro na OCDE sinaliza que há canal aberto, mas a disposição ao diálogo não elimina a urgência de ações concretas. Brasília terá de acelerar interlocução técnica com Washington, oferecer respostas sobre fiscalização de cadeias produtivas e buscar compromissos que preservem o comércio. Para o governo, além do custo econômico, há um custo político: a necessidade de demonstrar capacidade de negociação e de evitar que a disputa se transforme em desgaste prolongado.