A subsecretária de Estado para Diplomacia Pública dos EUA, Sarah B. Rogers, acusou o Brasil de impor censura depois que a plataforma X (antigo Twitter) atualizou o algoritmo do feed "Para Você" para limitar a recomendação de postagens de candidaturas nas eleições brasileiras. Segundo a mudança anunciada pela empresa, publicações feitas por perfis de pessoas candidatas continuarão visíveis em suas páginas e para seus seguidores, mas não serão amplificadas nas recomendações a usuários que não seguem esses perfis.
A alteração foi justificada pelo X como cumprimento da Resolução nº 23.610/2019 do Tribunal Superior Eleitoral, que determina que sistemas de recomendação excluam dos algoritmos os perfis oficiais de candidatos registrados, salvo em casos de impulsionamento pago. Ainda assim, a reação de representantes do governo americano transformou uma medida técnica em episódio diplomático, ao colocar em choque duas narrativas: a da autoridade eleitoral brasileira sobre regulação das plataformas e a da administração americana sobre liberdade de circulação de conteúdos políticos.
O episódio acende um alerta político. De um lado, Brasília pode alegar soberania regulatória para aplicar regras eleitorais que visam reduzir a amplificação algorítmica; de outro, a acusação pública de um membro do governo dos EUA adiciona pressão externa a um governo já em disputa com a administração Trump em temas como comércio, regulação digital e discurso público. Reportagens recentes também apontam que Washington avalia medidas adicionais, inclusive contra ministros do Supremo, o que amplia o potencial custo diplomático e institucional dessa disputa.
Na prática, a mudança do X não remove conteúdo nem suspende perfis, mas altera a forma como informação política circula na plataforma — justamente o objeto do debate sobre impacto dos algoritmos nas eleições. A escalada retórica entre os governos tende a complicar negociações bilaterais e exige uma resposta clara de Brasília caso queira evitar que controvérsias regulatórias se transformem em crises mais amplas nas relações com os EUA.