O governo dos Estados Unidos confirmou a imposição de uma sobretaxa adicional de 25% sobre uma série de produtos exportados pelo Brasil, medida tomada pelo presidente Donald Trump com base na Seção 301 da lei comercial americana. A investigação do USTR, liderada por Jamieson Greer, durou cerca de um ano e cita práticas brasileiras que, segundo a parte americana, geram insegurança jurídica e competição desleal.
Entre os pontos que motivaram a ação o USTR mencionou comércio digital, funcionamento de meios de pagamento — incluindo o Pix —, o mercado de etanol, combate ao desmatamento ilegal, além de temas ligados à propriedade intelectual, processamento de patentes, pirataria, políticas anticorrupção e concessão de tarifas preferenciais. A Casa Branca informou o Palácio do Planalto antes da divulgação, mas sem detalhar de imediato a lista de produtos.
No governo federal a reação pública é de reprovação. O presidente Lula reuniu-se com o chanceler Mauro Vieira e o Ministério da Fazenda diz que avaliará setor por setor antes de definir apoio. O ministro Dario Durigan classificou a medida como desproporcional e afirmou a intenção de buscar solução negociada, mas avisou que qualquer socorro terá de respeitar o compromisso com o equilíbrio fiscal.
Politicamente, o episódio acende um alerta: além do custo econômico imediato para exportadores, a escalada comercial complica a agenda do governo, amplia pressão por medidas compensatórias e testa a capacidade diplomática do Brasil. Somam-se ainda tensões anteriores — em julho de 2025 houve outra sobretaxa — e uma investigação sobre trabalho forçado que propõe 12,5%. Se acumuladas, medidas adicionais podem elevar a carga sobre determinados produtos e forçar o Planalto a escolhas difíceis entre negociação, apoio fiscal setorial e riscos à coalizão.