Começa em Washington a audiência pública convocada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para avaliar a aplicação de sobretaxas sobre produtos brasileiros. A proposta principal prevê uma alíquota adicional de 25% sobre parte das importações; há ainda outra sugestão de 12,5% que, somada, elevaria o tributo a 37,5%. A sessão, dividida em 14 painéis, ocorre na segunda e terça-feira e antecede a decisão final marcada para 15 de julho.
O processo, construído a partir de investigações nos mecanismos da legislação comercial norte-americana (mencionadas como Seções 201 e 301), lista como fundamentos temas como Pix, acordos considerados preferenciais, acesso ao mercado de etanol, proteção à propriedade intelectual, desmatamento, corrupção e pirataria. Estão inscritos importadores, distribuidores, associações empresariais e federações — com forte expectativa de participação do agronegócio e compradores dos EUA — além de entidades como Fiesp, Abimaq, Sindifer e Centrorochas.
Para o setor produtivo brasileiro, a audiência é a última oportunidade formal para tentar reduzir o alcance das medidas. O cronograma prevê apresentações de cinco minutos e rodada de perguntas do USTR; documentos escritos já entregues servirão de base técnica. Em termos práticos, tarifas nessa ordem põem em risco fatias relevantes das exportações, pressionam cadeias produtivas e encarecem insumos, com reflexo direto em receitas, empregos e competitividade.
Politicamente, o episódio amplia desgaste e complica a narrativa oficial sobre a saúde das relações comerciais com os EUA: além do custo econômico imediato, há risco de efeitos colaterais sobre negociações bilaterais e de perda de confiança de compradores estrangeiros. Se não houver sucesso nas manifestações técnicas em Washington, a alternativa brasileira exigirá resposta diplomática articulada e mobilização do setor privado para mitigar um choque potencial nas contas externas e na economia real.