O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) concluiu investigação aberta em julho passado e classificou práticas brasileiras em áreas do comércio digital como "irracionais" e prejudiciais a empresas americanas. O relatório de 107 páginas propõe, como opção de retaliação, a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos do Brasil, embora as medidas ainda não estejam definidas e incluam exceções listadas em anexo.
Entre as seis frentes examinadas pelo USTR estão políticas sobre comércio digital, serviços de pagamento eletrônico — com menção explícita ao Pix —, tarifas preferenciais, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e combate ao desmatamento e à corrupção. No caso do Pix, o argumento americano é que o Banco Central acumula papel de regulador e de operador, o que teria criado vantagem competitiva para o sistema brasileiro.
O governo dos EUA abriu consulta pública até 1º de julho e marcou audiência para 6 de julho; o representante Jamieson Greer sinalizou que deve manter o diálogo com o Brasil até 15 de julho antes de adotar qualquer medida. O tema foi tratado pessoalmente entre os presidentes Lula e Trump na Casa Branca, e o brasileiro propôs a formação de um grupo de trabalho com prazo curto para buscar solução — cenário que agora ganha caráter de urgência.
Do ponto de vista político e econômico, a hipótese de tarifas uniformes de 25% acende alerta: trata‑se de um instrumento capaz de ampliar custo exportador, reduzir receita e criar pressão setorial sobre o governo. Para o Executivo, a janela até meados de julho representa prazo curto para uma resposta técnica que convença Washington, além de gerar risco de desgaste político caso as negociações não avancem.
A disputa expõe uma contradição entre a defesa de inovações financeiras internas e a necessidade de acomodar regras internacionais. O governo terá de combinar gesto político e mudanças regulatórias pontuais, sob risco de ver a retórica de autonomia econômica confrontada por um custo comercial concreto.