A possibilidade de um 'tarifaço' dos Estados Unidos contra produtos brasileiros ganhou ritmo nesta quinta-feira depois da declaração do representante do Departamento de Comércio americano, Jamieson Greer, de que uma decisão final será divulgada "muito em breve". Com o prazo legal que se encerra em 15 de julho, a fala elevou a pressão sobre Brasília e acelerou as negociações diplomáticas nos bastidores.
O pacote em análise pode elevar tarifas em até 37,5% — combinação de 25% ligada à investigação aberta com base na Seção 301 e uma sobretaxa de 12,5% associada a alegações sobre trabalho forçado. O processo passou por audiências públicas do USTR que ouviram setores como café, açúcar, etanol, papel, calçados e propriedade intelectual. O governo brasileiro optou por não participar ativamente dessas sessões; entre os presentes esteve o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro.
No Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, em duas ocasiões na mesma quinta-feira. Itamaraty, Palácio do Planalto e representantes do setor privado intensificaram contatos com autoridades americanas na tentativa de evitar a medida. Interlocutores do governo sustentam que a investigação se vale de informações antigas e apontam motivações políticas na ofensiva de Washington — avaliação que, se confirmada, poderia reduzir a margem brasileira de negociação.
Além do impacto imediato sobre exportadores e cadeias produtivas, uma entrada em vigor das tarifas teria custo político para o governo: aumenta a pressão sobre a equipe econômica e o Itamaraty, complica relações comerciais com parceiros nos EUA e pode exigir concessões para reabrir diálogo. Com a decisão provável nos próximos dias, o episódio testa a capacidade diplomática do governo e expõe a fragilidade das defesas comerciais brasileiras diante de medidas unilaterais.