O governo dos Estados Unidos anunciou, nesta quarta-feira (1º/7), sanções contra três empresas brasileiras, uma portuguesa e dois cidadãos brasileiros por suposta ligação ao Primeiro Comando da Capital (PCC), segundo comunicado do Departamento do Tesouro dos EUA. A ação, que envolve investigação do FBI, do Departamento de Segurança Interna (DHS) e do Departamento de Justiça (DOJ), é a primeira do tipo desde que Washington anunciou a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas.

As pessoas sancionadas são Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira. As empresas listadas são Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobranças e Tecnologia Ltda., Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda., Wave Construções Inteligentes Ltda. e a portuguesa Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda. O documento afirma que Shimada, proprietário da Victory Trading, foi investigado por suposta lavagem de recursos vinculados ao Corinthians, com negócios relacionados à empresa Vai de Bet, e que Stella, apontada como sua secretária, teria organizado recebimentos em espécie para obscurecer a origem de valores. Shimada foi preso em janeiro de 2025 pela Polícia Federal em investigação por lavagem de dinheiro.

Além de penalizar diretamente os nomes citados, a medida americana amplia o escrutínio sobre fluxos financeiros ligados a organizações criminosas e sobre práticas de compliance de bancos, patrocinadores e clubes. O uso de sanções por parte do Tesouro dos EUA eleva o custo reputacional e operativo para os envolvidos e cria canais adicionais de investigação internacional. No plano político, a ação acende alerta para o governo e para autoridades responsáveis pelo combate ao crime organizado: a pressão externa tende a exigir respostas mais visíveis e coordenação entre as agências brasileiras e parceiros internacionais.

A movimentação americana também expõe riscos concretos no campo dos esportes e dos negócios: patrocinadores e instituições financeiras podem endurecer controles, afetando contratos e receitas que já vinham sob suspeita. Para o Executivo e para o Judiciário, a decisão dos EUA representa um termômetro da percepção internacional sobre a capacidade do Brasil de enfrentar lavagem de dinheiro e financiar redes criminosas. Resta acompanhar os desdobramentos das investigações e eventuais medidas diplomáticas ou jurídicas que poderão seguir a partir do anúncio.