Os Estados Unidos oficializaram na noite de 15 de julho a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre uma série de produtos brasileiros, medida determinada pelo presidente Donald Trump e anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio (USTR). A sobretaxa, aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, passa a vigorar em 22 de julho e será aplicada além das alíquotas já existentes.

O senador e secretário de Estado Marco Rubio criticou duramente a postura do governo brasileiro, dizendo que o país não negociou de boa‑fé e responsabilizando a administração Lula pelo impasse. O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que negociações ao longo do ano não resolveram as diferenças apontadas pela investigação do USTR, mas disse que os EUA permanecem abertos a diálogo para corrigir os problemas identificados.

Em reação, o governo brasileiro classificou 15 de julho como um marco lamentável nas relações bilaterais e informou que acionará instrumentos da Lei de Reciprocidade e o mecanismo de solução de controvérsias da OMC. O Planalto também anunciou medidas do Plano Brasil Soberano para mitigar o impacto sobre empresas e preservar empregos, além de buscar diversificação de mercados para exportadores afetados.

Além do custo imediato para exportadores — em alguns casos elevando alíquotas de 5% para 30%, ao somar tarifas regulares e a sobretaxa — a medida tem efeito político: acende alerta sobre a capacidade do governo de proteger cadeias produtivas e complica sua agenda externa. O USTR apontou seis áreas de preocupação, como comércio digital, propriedade intelectual, acesso ao etanol e desmatamento, e a imposição pode pressionar a equipe econômica a acelerar respostas comerciais e diplomáticas.