O ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão confirmou que assumiu a defesa de Paulo Henrique Costa, afastado da presidência do BRB após as suspeitas envolvendo o Banco Master. A mudança ocorre em razão de estratégia: o advogado anterior, Kleber Lopes, também representa o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha, que vem sendo apontado em reportagens como possível citado numa eventual delação.

Aragão disse ainda não ter conversado com o cliente e, por isso, não pode confirmar a intenção de firmar acordo de delação premiada. Fontes da Polícia Federal consultadas pela reportagem afirmaram que, na corporação, não há registro de negociações sobre delação com Paulo Henrique até o momento. Investigadores avaliam, porém, que a decisão do Supremo sobre a prisão pode influenciar próximas etapas.

O Supremo Tribunal Federal analisa, no plenário virtual da Segunda Turma, se mantém a prisão do ex-presidente do BRB até sexta-feira. Andre Mendonça e Luiz Fux já votaram a favor da manutenção do cárcere; faltam os votos de Gilmar Mendes e Kássio Nunes. Dias Toffoli declarou-se impedido. O desfecho do julgamento tende a condicionar a estratégia de defesa e eventuais movimentos investigativos.

Politicamente, a perspectiva de uma delação que mencione o ex-governador Ibaneis gera tensão: se confirmada, além de ampliar o alcance das apurações, a iniciativa pode complicar narrativas de aliados e pressionar bancadas que sustentam políticas locais. A troca de defesa, embora técnica, revela preocupação com conflitos de representação e com as repercussões institucionais do caso.