O ex-chefe da Secretaria de Comunicação Social do governo Jair Bolsonaro, Fabio Wajngarten, passou a integrar a equipe de defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro por meio de sua empresa, a WF Comunicação. Segundo documentos da Receita Federal encaminhados à CPI do Crime Organizado do Senado e reportados pela imprensa, a empresa recebeu ao menos R$ 3,8 milhões do Banco Master em 2025.

Em entrevistas, Wajngarten afirmou que foi apresentado a Vorcaro no primeiro semestre de 2025 por meio dos advogados do empresário e que, desde então, integra a defesa. O ex-ministro também ressaltou que o contrato prevê cláusulas de confidencialidade e disse não se considerar pessoa politicamente exposta, por ter deixado cargo público há mais de cinco anos.

Fui apresentado a Vorcaro no início de 2025 por meio de advogados e, a partir daí, passei a integrar sua equipe de defesa.

A combinação entre o montante pago à WF Comunicação e a participação do nome associado à comunicação do governo Bolsonaro coloca a operação sob maior olhar público. A cláusula de confidencialidade impede detalhamento das atividades, o que reduz a transparência em um caso já sensível por envolver um banco cujo proprietário está sob escrutínio e por documentos enviados a uma CPI.

Do ponto de vista político e institucional, a movimentação reacende debates sobre o chamado 'revolving door' — a passagem de autoridades e ex-assessores para o setor privado e para funções que podem explorar sua reputação pública. Para investigadoras e opositores, a relação financeira entre um banco com pendências e uma empresa ligada a ex-integrantes do governo tende a ampliar desgaste e a alimentar exigências por esclarecimentos.

A etapa seguinte será acompanhar como a CPI e os órgãos de controle vão tratar os pagamentos e se exigirão a abertura de contratos e notas fiscais para esclarecer serviços prestados. Enquanto a confidencialidade limita informações, a presença de Wajngarten na defesa de Vorcaro adiciona um elemento político que não pode ser dissociado do debate público sobre transparência e conflito de interesses.

O contrato inclui cláusulas de confidencialidade; além disso, não ocupo cargo público há mais de cinco anos, portanto não me considero pessoa politicamente exposta.