Uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, publicada em 16/4, revelou trocas de mensagens entre o ex‑presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e o ex‑banqueiro Daniel Vorcaro, no contexto da investigação conhecida como Operação Compliance Zero. O documento foi usado para autorizar a quarta fase da operação, que culminou na prisão de Paulo Henrique. As conversas apontam que, mesmo em meio à apuração sobre o Banco Master, havia negociação de apartamentos e alinhamento para visitas e contratos.

Segundo a decisão, há indícios robustos de que ajustes de valores milionários foram combinados a título de corrupção, devendo corresponder à transferência de um número de imóveis de alto padrão. O ministro cita mensagens em que o então presidente da estatal do Distrito Federal cobrava avanço sobre imóveis que lhe seriam repassados por meio de pessoas jurídicas, e que o esquema poderia envolver cerca de R$ 150 milhões em bens.

O próprio documento destaca outra dimensão preocupante: ainda depois da constatação, em junho de 2025, de que o BRB havia adquirido aproximadamente R$ 12,2 bilhões em carteiras falsas do Banco Master, a instituição manteve a parceria e continuou comprando ativos do mesmo fornecedor. Esse ponto levanta dúvidas sobre controles de risco, governança e a fiscalização da gestão da estatal, além de ampliar o custo político para seus gestores e para o governo local.

A defesa do ex‑presidente nega irregularidades; o advogado Cleber Lopes classificou a prisão como "um exagero". Independentemente da versão final, os fatos expostos pelo despacho de Mendonça complicam a narrativa oficial e exigem respostas sobre como operações com parceiros privados foram autorizadas e acompanhadas pelo banco público.