O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, foi transferido na noite de sexta-feira (8/5) para o 19º Batalhão da Polícia Militar — conhecido como Papudinha —, conforme apurado por fontes próximas ao caso. No local, ele ficará acomodado em uma sala de estado‑maior.

A mudança foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), após manifestação da Procuradoria‑Geral da República (PGR) e a pedido da defesa do executivo. O despacho judicial abre caminho para que Costa tenha maior proximidade com os investigadores e preste depoimentos ligados à Operação Compliance Zero.

A alternativa seria a transferência para a Superintendência da Polícia Federal, mas a presença de Daniel Vorcaro — apontado por investigadores como uma das lideranças do esquema — motivou a escolha do batalhão militar. A medida evita a coabitação e facilita encontros controlados entre o delatando e autoridades.

Do ponto de vista político e institucional, a autorização do STF representa um passo relevante para viabilizar eventuais acordos de colaboração: ao aproximar o investigado dos órgãos responsáveis, a decisão pode acelerar a produção de provas e ampliar a pressão sobre outros envolvidos. O movimento também complica a narrativa de quem busca minimizar o alcance da investigação.

Ainda não há previsão pública para o início dos depoimentos, que dependem de acertos entre defesa, PGR e Polícia Federal. O caso segue em curso, com potencial impacto sobre as peças centrais da apuração e riscos políticos para agentes citados nas apurações.