Uma operação deflagrada nesta quinta‑feira (17) ampliou a investigação sobre a presença do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo de São Paulo. A ofensiva, denominada Vectura Corrupta, cumpriu 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão em diferentes cidades e teve entre os alvos o ex‑vereador e ex‑presidente da Câmara municipal Milton Leite (União Brasil), cuja prisão foi determinada pela Justiça, segundo apuração da TV Globo.
As diligências atingiram a capital e municípios da região metropolitana e do litoral, e decorrem de apurações que começaram a ser costuradas a partir da Operação Decúrio, de 2024. Naquele momento, investigadores mapearam uma estrutura de comunicação entre integrantes do crime organizado e identificaram participação de advogados e intermediários. A partir desse material, a apuração se deslocou para o setor de transportes e aponta, conforme a polícia e o Ministério Público, que até 12 empresas de ônibus estariam sob controle direto ou indireto da facção.
O nome de Milton Leite surge repetidamente nos autos, que associam o político a operações de sociedades investigadas e mencionam depoimentos de policiais militares que o relacionam à empresa Transwolf. As autoridades também buscam esclarecer indícios de envolvimento de servidores da SPTrans, candidatos e operadores jurídicos no que seria uma rede com múltiplas frentes — desde o controle de empresas até o suposto financiamento de candidaturas em 2024.
Se confirmadas, as suspeitas têm desdobramentos políticos e institucionais relevantes: comprometem a governança do setor de transporte, abalam a confiança em prestadores de serviço essenciais e lançam sombra sobre campanhas e partidos que receberiam recursos de origem questionável. Para o campo político, a operação expõe a vulnerabilidade de redes locais a agentes criminosos e aumenta a pressão por transparência nas licitações, contratos e nos vínculos entre grupos empresariais e representantes eleitos.
A Procuradoria e a Polícia Civil ainda precisam apresentar provas finais para sustentar as acusações em juízo. Até lá, o caso já altera a agenda pública: autoridades terão de responder sobre a fiscalização do sistema de transporte e partidos e coalizões poderão sofrer custo político, na medida em que siglas e nomes aparecem associados à investigação. A dimensão eleitoral e empresarial das suspeitas torna a apuração um termômetro do nível de penetração do crime organizado em segmentos estratégicos da cidade.