A defesa do ex‑presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, solicitou ao Supremo Tribunal Federal a transferência do cliente para uma sala de Estado‑Maior. O pedido está sob sigilo no gabinete do ministro André Mendonça, relator do inquérito, e a decisão deve sair nos próximos dias.
Fontes consultadas pela reportagem indicam tendência de que Mendonça julgue favoravelmente a movimentação até a próxima semana, mas o ministro aguarda o parecer da Procuradoria‑Geral da República. Entre as alternativas apontadas pelos investigadores estão o 19º Batalhão da Polícia Militar, no Jardim Botânico, e a Superintendência da Polícia Federal — onde já está o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e também investigado.
Costa e Vorcaro tentam firmar acordos de delação premiada, mas as equipes exigem informações robustas e documentos que sustentem as declarações. Enquanto isso, as diligências avançam: mensagens apreendidas na Operação Compliance Zero ajudaram a esclarecer o esquema e oito aparelhos de Vorcaro foram apreendidos — apenas dois já passaram por perícia até agora.
O processo ganha contornos políticos sensíveis porque Mendonça cobrou da PF uma relação de autoridades com foro por prerrogativa de função que podem estar conectadas ao caso, incluindo parlamentares e membros do Judiciário. A possibilidade de incluir nomes com foro acende alerta institucional e pode complicar a narrativa oficial, mesmo com os investigadores trabalhando também na hipótese de concluir o inquérito sem colaborações.