O ex-presidente do PT no Recife, Osmar Ricardo, publicou em suas redes sociais uma espécie de “colinha” com os números dos candidatos em quem pretende votar. Entre os nomes indicados, chamou atenção a inclusão de Raquel Lyra (PSD) e a ausência do ex-prefeito João Campos (PSB), candidato apoiado oficialmente pelo partido no estado. A lista também traz a vereadora Liana Cirne (PT-PE), o senador Humberto Costa (PT-PE) e João de Nadegi (PV-PE).
Embora a postagem seja manifestação individual, o gesto ganha relevância política ao expor dissensos internos. Ricardo deixou o comando do diretório municipal do PT no Recife no fim de julho, no contexto de reorganização da legenda para o próximo ciclo eleitoral. A coincidência entre a saída e a escolha pública alimenta interpretações sobre a fragilidade da unidade partidária em Pernambuco.
O episódio acende alerta para a direção estadual do PT e para a campanha de João Campos: quando líderes locais sinalizam apoio a adversários ou a nomes fora da orientação oficial, crescem os riscos de enfraquecimento da mobilização, ruído na mensagem e dificuldade nas negociações de chapas proporcionais e majoritárias. A movimentação ocorre também num momento em que Raquel Lyra, recém-filiada ao PSD, busca consolidar sua posição no estado.
A publicação de Ricardo não redefine alianças, mas complica a narrativa de coesão da base pró-Lula em Pernambuco. Resta à direção do PT decidir entre tolerar dissidências pontuais ou promover um ajuste de disciplina e interlocução. A repercussão local será um termômetro para avaliar se trata-se de uma dissidência isolada ou de um sinal de desgaste mais amplo às vésperas de um ciclo eleitoral determinante.