Um grupo de 147 ex-reitores e ex-reitoras divulgou nesta quinta-feira uma carta pública em apoio à candidatura de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, ao mesmo tempo em que coloca a educação pública no centro de sua agenda. Entre os signatários estão três ex-reitores da Universidade de Brasília, o que confere peso simbólico ao documento enviado à opinião pública.

O texto critica a queda real de recursos destinada aos ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia e Inovação e reclama medidas concretas: requalificação das instalações, melhores condições de trabalho, políticas robustas de assistência estudantil e um compromisso explícito com financiamento estável. Os autores apontam a meta de elevar o investimento em pesquisa e desenvolvimento a 2% do PIB até 2034 como referência para retomar a capacidade científica do país.

Na pauta de pessoal, os ex-dirigentes enfatizam a necessidade de valorização docente, defendendo carreiras com dedicação exclusiva e remuneração compatível como forma de recuperar qualidade e estabilidade no ensino básico, tecnológico e superior. A proposta mira tanto a crise orçamentária quanto a organização administrativa das instituições, buscando preservar o papel público da formação.

Outra frente do manifesto é a soberania tecnológica: o grupo alerta para os riscos de dependência de plataformas privadas e de infraestrutura estrangeira, propondo investimentos em infraestrutura pública de dados, software livre e conectividade para proteger a autonomia acadêmica. A crítica à mercantilização da educação aparece ligada à defesa de uma oferta pública, gratuita, laica e autônoma.

Politicamente, a carta funciona como um reforço acadêmico para a campanha governista e simultaneamente eleva a pressão sobre o debate público: ao formalizar demandas detalhadas, os signatários cobram respostas objetivas do Executivo e dos aliados. Para o campo opositor, o manifesto oferece material para confronto na disputa sobre prioridades orçamentárias e modelos de gestão na educação.