O crescimento do canal 'Exército do Lula', comandado pelo deputado reeleito André Janones (Rede-MG), virou dor de cabeça para a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL). Com mais de 8,3 milhões de participantes no WhatsApp, a ferramenta ganhou capacidade de amplificar mensagens e organizar engajamento em favor da reeleição do presidente Lula — e isso tem sido tratado nos bastidores como um deslocamento no equilíbrio de forças do ambiente digital.

Aliados de Flávio ouvidos pela imprensa admitiram incômodo com a circulação acelerada de conteúdos favoráveis ao PT e com a eficácia da mobilização coordenada pelo grupo. Historicamente, setores da direita concentraram maior articulação nessas plataformas; a atuação de Janones, no entanto, equilibrou a disputa e obrigou a campanha bolsonarista a rever expectativas sobre manter hegemonia online na reta final do segundo turno.

A reação tomou forma institucional: a campanha de Flávio voltou a questionar o funcionamento do canal e acionou o Tribunal Superior Eleitoral. Nesta quinta-feira (22/10), o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, determinou que a Meta entregue, em 24 horas, um relatório técnico sobre a atuação do grupo. A ofensiva jurídica e administrativa indica que a disputa digital deixou de ser só batalha por audiência e passou a ter custo político e judicial.

Do ponto de vista político, o avanço do 'Exército do Lula' amplia desgaste para a estratégia oposicionista e complica narrativas que dependiam da superioridade nas redes. A pressão sobre plataformas e sobre o Judiciário também levanta questões sobre limites de atuação de grandes canais privados e sobre como haverá responsabilização em espaços que influenciam o eleitorado. Em suma: a disputa online virou terreno institucionalizado, forçando ajustes táticos e aumentando a aposta em instrumentos legais na reta final.