O canal 'Exército do Lula', mantido pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), chegou a 10 milhões de inscritos no WhatsApp em 23 de outubro, segundo a própria administração do espaço. A marca foi alcançada a dois dias do segundo turno, e o canal é usado para divulgar material e mobilizar apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em vistas à disputa de 2026. Janones disse ter bloqueado novas entradas até atingir o número e publicou vídeo pedindo aumento de integrantes até o horário do debate; ele também ressaltou um salto recente, de 5,5 milhões para 7 milhões em menos de 12 horas.
O crescimento ocorre em meio a representações da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) que questionaram o comportamento de contas e o engajamento do canal, e acionaram a Meta para prestar informações técnicas. O tema já teve decisões judiciais anteriores sobre divulgação de conteúdo e registro junto à Justiça Eleitoral. Em 23 de outubro, o ministro do TSE Floriano de Azevedo Marques determinou que qualquer nova suspensão ou restrição do canal deverá ser submetida ao plenário da Corte.
Politicamente, a escalada do número de inscritos reforça a capacidade de mobilização do aparato pró-governo e, ao mesmo tempo, amplia a exposição do canal ao escrutínio institucional. A rápida ampliação do alcance complica a narrativa em torno da regulação de plataformas: por um lado, há ganho operacional para a campanha; por outro, cresce a pressão sobre o TSE e a Meta para demonstrar transparência e critérios técnicos na fiscalização do processo eleitoral.
O caso aponta para um duelo crescente entre estratégias de massa nas redes e a necessidade de respostas institucionais claras. Para o governo e seus aliados, o canal é ferramenta de alcance eleitoral; para adversários e magistrados, levanta dúvidas sobre limites, efeitos e possíveis custos jurídicos. Resta ao TSE definir parâmetros que equilibrem liberdade de expressão e lisura do pleito, enquanto a disputa digital promete marcar o calendário rumo a 2026.