O Batalhão de Polícia do Exército de Brasília entregou, nesta segunda-feira (6/7), à Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal seis das armas vinculadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, em cumprimento à ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, que deu prazo de 48 horas para a apreensão.
Segundo a corporação e a defesa, nem todas as peças mencionadas estavam sob custódia do batalhão: a pistola Glock 9 mm e uma espingarda Maestro Arms Company calibre 12 GA não foram localizadas no quartel. Entre as armas efetivamente repassadas à PF estão pistolas das marcas Forjas Taurus (.380 e .40), Arex (9x19 mm), SIG-Sauer (9x19 mm) e uma carabina/ fuzil Springfield Armory calibre 7,62x51 mm — relação apresentada como amostral pelas autoridades.
A entrega decorre de decisão de Moraes que, ao manter a prisão domiciliar de Bolsonaro, havia determinado a apresentação de 10 armamentos vinculados ao ex-presidente. A defesa afirma que duas dessas armas já haviam sido entregues à PF em abril de 2023, após determinação do TCU. Na última sexta-feira, o ministro também revogou o Certificado de Registro de CAC de Bolsonaro, alegando incompatibilidade da manutenção da posse de armas enquanto o ex-presidente cumpre pena.
Além do cumprimento imediato da ordem judicial, o episódio levanta questões institucionais sobre controle e inventário de armas sob responsabilidade do Exército. A ausência das duas peças informadas cria um vácuo que exige esclarecimento claro da corporação e da Polícia Federal sobre o paradeiro dos armamentos e os procedimentos de guarda. Politicamente, a nova etapa do caso tende a ampliar a pressão sobre as instituições envolvidas e a alimentar debate sobre responsabilidade, transparência e segurança jurídica no trato de bens relacionados a investigados.