O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, deu prazo de 72 horas para que o ministro André Mendonça se manifeste sobre o pedido da Advocacia‑Geral da União (AGU) que busca a suspensão dos afastamentos do diretor‑geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada. Fachin determinou ainda que, após a resposta do relator da Petição 16.662, os autos retornem à Presidência do STF para nova análise.

A AGU recorreu com pedido de urgência, alegando que a decisão de Mendonça provoca “grave lesão à ordem pública e administrativa” e interfere na prerrogativa do presidente da República de nomear e exonerar dirigências da PF. O órgão também sustentou que o afastamento simultâneo dos dois dirigentes pode comprometer o funcionamento da polícia judiciária e desorganizar a corporação.

Mendonça havia determinado os afastamentos após apontar indícios de irregularidades na produção de relatórios de inteligência que o mencionavam, afirmando ter sido alvo de um “monitoramento sistemático” da PF. O ministro também ordenou que a Corregedoria da Polícia Federal instaure investigações de natureza penal e administrativo‑disciplinar. Até a decisão de Fachin sobre o recurso da AGU, os afastamentos permanecem em vigor.

Além do efeito jurídico imediato, a troca de movimentações entre AGU, Mendonça e a Presidência do STF amplia a tensão institucional e acende alerta para o governo sobre controle e comando da Polícia Federal. A disputa sobre foro e competência — Segunda Turma versus Presidência do STF — também expõe um dilema procedimental que pode repercutir politicamente, dependendo do desfecho que Fachin adotar.