O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, determinou que a Polícia Federal apure ameaças recebidas pelo ministro Flávio Dino. A medida segue relatório produzido pela área de segurança do próprio STF, que reúne milhares de manifestações agressivas contra integrantes da Corte, e inclui mensagens que incitam violência contra magistrados.

Dino informou ter recebido trechos desse levantamento e afirmou que não alterará sua atuação em face das intimidações. Além do próprio ministro, o material cita outros alvos, como Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Dias Toffoli. O fluxo de informações falsas e a escalada de hostilidade nas redes sociais foram apontados pelo ministro como fatores que podem ultrapassar o limite da crítica e alimentar riscos reais à integridade física das autoridades.

O problema não se limita ao ambiente virtual. O juiz Francisco Tojal, do Tribunal de Justiça de Pernambuco, relatou episódio de hostilidade em Porto Alegre motivado por preconceito regional, um episódio que aproxima a retórica agressiva da possibilidade de atos concretos. Esses episódios formam um quadro mais amplo de intolerância que exige medidas de proteção e investigação eficazes.

Há consequências políticas e institucionais claras: a ação requisitada por Fachin pressiona as autoridades policiais a demonstrar independência e eficiência, e lança um sinal sobre o grau de vulnerabilidade do Judiciário a pressões externas. Se a apuração for morosa ou politizada, o custo será institucional — com potencial de desgaste da confiança pública. A transparência e a rapidez das investigações serão decisivas para evitar que a intimidação vire mecanismo de influência sobre decisões judiciais.