O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, suspendeu a análise — marcada para esta quinta-feira — de um dos processos sobre as investigações do Banco Master que envolve o ministro André Mendonça. A decisão não definiu nova data e levou em conta uma questão de ordem suscitada no julgamento de terça-feira (15/9), cuja tramitação foi interrompida por pedido de vista.

No plenário estava em debate proposta para que os processos relacionados fossem apensados e redistribuídos, o que pode retirar parte dos autos da alçada da Presidência do STF. A proposta também prevê a certificação dos magistrados citados para que, após identificação de indícios, o procurador‑geral da República e os próprios magistrados possam se manifestar. A questão de ordem foi apresentada por Gilmar Mendes, a partir de sugestão do ministro Flávio Dino.

Fachin, que na sessão anterior defendera a manutenção da separação dos feitos e da sua relatoria, reconheceu no despacho que o desfecho daquele debate afeta diretamente a regularidade do prosseguimento do caso. O procedimento que o próprio presidente abriu tem como base informações encaminhadas por Alexandre de Moraes e relatório de inteligência da Polícia Federal sobre supostas irregularidades na condução das investigações do Banco Master por Mendonça.

O adiamento revela uma Corte dividida — com votos contrários à questão de ordem de ministros como Cármen Lúcia e Luiz Fux, e favoráveis de Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin — e acende alerta sobre a segurança jurídico‑processual da relatoria. A indefinição amplia desgaste institucional e complica a narrativa sobre como o STF deve tratar apurações envolvendo seus membros, deixando em aberto pressões por redistribuição e transparência no encaminhamento dos autos.